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POPULAÇÃO
NEGRA E INSEGURANÇA ALIMENTAR
Maria
Noelci Homero
Fernanda
Souza de Bairros
Regina
da silva Miranda
Este
texto tem como objetivo discutir sobre desigualdades raciais e segurança
alimentar no contexto do Direito Humano à Alimentação Adequada -
DHAA.
Por
muito tempo as ações e políticas públicas para melhoria de condição
de vida não contemplaram de forma específica a população negra. Após
contundentes reivindicações de atores da sociedade civil e do
movimento negro a temática racial passou a ser considerada nas
discussões sobre as condições de vida dos diferentes grupos na
sociedade brasileira. Diante disso, salienta-se a importância do
fator racial como dado a ser incluído na formulação e execução
das políticas públicas, pois muitas vezes as diferenças fenotípicas
da raça, como por exemplo a cor da pele, atuam como indicadores para
a distribuição diferencial dos direitos, levando como conseqüência
à desigualdade racial.
Alguns
dados econômicos e sociais vêm mostrando a desigualdade racial
existente no Brasil. De acordo com Henriques (2001) a diferença de
escolaridade entre brancos e negros é de 2,3 anos de estudo, e a
população branca recebe salários cerca de 2,5 vezes maiores que a
população negra. Em relação à qualidade de vida, Bento,
referindo-se ao Instituto Interamericano Sindical pela Igualdade
Racial (INSPIR) diz que 73,1% dos negros vivem em habitações precárias,
como barracos, casas de palha ou madeira, contra 25,9% dos brancos na
mesma condição. E grande parte destes não tem água canalizada
interna, esgoto encanado e energia elétrica.
A
situação socioeconômica precária em que vive a população negra
é a expressão da violação de diversos enfoques do Direito Humano
como o direito à moradia, direito ao meio ambiente sadio, direito à
educação e o mais fundamental dos direitos humanos, o direito a uma
alimentação adequada, com qualidade e quantidade suficiente,
respeitando a diversidade cultural sem comprometer o acesso a outras
necessidades básicas.
Segundo
a pesquisa do IBGE (2004) que utilizou pela primeira vez a Escala
Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) na Pesquisa Nacional por
Amostras de Domicílios (PNAD) revelou que 13,921 milhões de pessoas
passam fome no Brasil e que dos 52 milhões de domicílios
particulares estimados, em 6,5% deles residem pessoas com insegurança
alimentar grave. A insegurança alimentar é visível e reforça a
desigualdade econômica entre raças. No Brasil, 11,5% da população
negra vivia em situação de insegurança alimentar grave; entre os
brancos o percentual cai para 4,1%. Em contrapartida a população que
vivia em domicílios com garantia de acesso aos alimentos em termos
qualitativos e quantitativos era 71,9% de brancos e 47,7% de negros.
É importante salientar que as diferenças na proporção de insegurança
alimentar grave de acordo com a raça (os que realmente passavam fome)
se reproduziram em todos os estados brasileiros, com maior magnitude
nas regiões sudeste, sul e centro-oeste.
Somos
o segundo maior país em população negra, a 12ª economia do mundo,
o segundo maior produtor de alimentos, um dos maiores exportadores de
alimentos e
contraditoriamente só perdemos em concentração de renda para Serra
Leoa. Somos um parque de contradições onde convivem o melhor bioma
para a qualidade de vida humana, a melhor oferta natural de alimentos
e água pura, 30% das espécies vivas do planeta estão em nosso
território e não conseguimos transformar essas riquezas em qualidade
de vida para todos, coabitamos com pessoas em situação de extrema
insegurança alimentar entre as quais as populações negras são a
maioria. Ainda cabe-nos superar as grandes desigualdades entre populações
negras e brancas, resgate desta dívida histórica que o Brasil tem
com o povo negro, pois foi às custas de seu suor e de seu sangue que
conquistou destaque na economia mundial. Cumpre-nos editar um novo
modelo soberano de desenvolvimento pautado na qualidade de vida das
pessoas e dos grupos sociais, focado na reparação das diferenças
históricas, seja investidor social, seja fortalecedor da economia
interna, seja preservador e recuperador das riquezas naturais.
Repensar um modelo para além do conceito exportador, enriquecedor de
poucos e gerador de miséria, achatador dos investimentos sociais e
devastador de bens naturais não renováveis e ao mesmo tempo em que
endividante.
É
inadmissível aceitar que em pleno século 21, milhões de pessoas
passem fome, pois essa é a manifestação mais extrema da pobreza e
da privação humana. Para Henriques (2001), a pobreza brasileira tem
estreita relação com a desigualdade na distribuição de recursos, e
não na escassez dos mesmos. Isso significa dizer que o Brasil, tanto
em termos absolutos como em relação aos diversos países do mundo, não
pode ser considerado um país pobre, mas sem dúvida alguma, deve ser
considerado um país extremamente injusto. Com isso, nascer negro ou
negra está diretamente relacionado à possibilidade de estar
vinculado à pobreza, pois a população negra concentra-se nos piores
indicadores econômicos. Esta realidade vem demonstrando a ausência
de ações mais efetivas no que se refere à população negra. Isso não
significa que não haja ações que a contemplem, mas as políticas
universais não têm conseguido diminuir as diferenças
étnico raciais entre as populações mais pobres.
É preciso que as políticas sejam direcionadas e específicas e que
contemplem efetivamente a redução das desigualdades raciais.
A
fim de reduzir essas desigualdades e assegurar à população negra o
Direito Humano à Alimentação Adequada, a Comissão de Políticas
para Segurança Alimentar e Nutricional das Populações Negras, do
Conselho Nacional de Segurança alimentar e Nutricional (CONSEA), órgão
de aconselhamento da Presidência da República, apresenta em seus
objetivos a incorporação da temática racial à construção da Política
de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN); a potencialização e
divulgação de ações já desenvolvidas junto à população negra
na área de SAN; o fortalecimento da produção e comercialização de
alimentos por populações remanescentes de quilombos e o
aproveitamento da capilaridade das comunidades religiosas de matriz
africana. Entre os 13 pontos do plano de ação desta comissão está
a construção de um sistema integrado e diversificado de informações
de indicadores sobre (in)segurança alimentar e nutricional capaz de
monitorar a situação da população negra no país, respeitando e
envolvendo comunidades e grupos específicos e viabilizar junto aos órgãos
competentes assistência técnica e financiamento aos empreendimentos
da economia solidária que atendam às vocações regionais e étnico-raciais,
pautada na promoção do desenvolvimento local sustentável de forma a
garantir a preservação das culturas tradicionais.
Maria Noelci Homero é Bibliotecária,
Coordenadora Técnica de MARIA MULHER – Organização de Mulheres
Negras, Nohomero@mariamulher.org.br,
Nohomero@cpovo.net.
Fernanda Souza de Bairros é
Nutricionista, Mestre em Saúde Coletiva. Conselheira consultiva da
ONG Maria Mulher e membro da Rede de Mulheres Negras para Segurança
Alimentar e Nutricional. E-mail: febairros@uol.com.br
Regina Miranda é Nutricionista, Conselheira do CONSEA-Nacional e do
CONSEA/RS, Especialista em Saúde Pública, Especialista em Saúde
Comunitária, Conselheira consultiva da ONG Maria Mulher e membro da
Rede de Mulheres Negras para Segurança Alimentar e Nutricional.
E-mail: regimira@via-rs.net,
regsilmir@yahoo.com.br,
Referências
Ricardo
Henriques. Desigualdade racial no Brasil: evolução das condições
de vida na década de 90. Ipea, 2001.
Maria
Aparecida da Silva Bento. A
cor do Silêncio. Disponível: http://www.fbsan.org.br
Pesquisa
Nacional por Amostras em Domicílios
- Segurança Alimentar. IBGE, 2004.
Valter
Silvério. Ação afirmativa e o combate ao racismo institucional no
Brasil. Cadernos de Pesquisas, 2002.
Experiências
em Segurança Alimentar e Nutricional
Agroextrativismo
gera segurança alimentar em Mato Grosso
Fonte:
Formad (Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento)
Texto:
André Alves – Formad Fotos: Deroní Mendes - GTA
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Cumbaru,
pequi, jatobá, mangava, cagaita. O cerrado possui milhares de
plantas medicinais e uma outra quantidade expressiva de frutos
que servem para alimentação humana e que são ricos em
vitaminas e nutrientes. No entanto, as espécies nativas nem
sempre são bem utilizadas pela população, principalmente em
uma região em que a migração de famílias é muito intensa,
como em Mato Grosso.
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Ajudar
a impulsionar o agroextrativismo sustentável foi a forma que a Federação
de Órgãos Para Assistência Social e Educacional (FASE-MT) encontrou
para unir conhecimento e valorização ambiental.
Agroextrativistas
de sete comunidades beneficiados pelo projeto Segurança Alimentar e
Intercâmbio de Saberes Ambientais apresentaram os produtos
desenvolvidos nas comunidades bem como discutiram próximos passos
necessários para a melhoria do uso sustentável do cerrado em um
encontro de extrativismo, promovido pela entidade, que terminou hoje
(18) em Cáceres, a 215 km de Cuiabá.
A
futura pedagoga Cíntia Masuí, que mora na comunidade São José
conta que no assentamento o projeto começou com 3 mulheres e
atualmente 12 pessoas participam da produção de doces, farinhas,
licores, sucos e geléias. “Antes ninguém dava valor. O cumbaru só
servia para madeira, para fazer cerca. Hoje se preserva o pé de
cumbaru como se tivesse plantado um pé de limão, de laranja, ao invés
de derrubar as árvores, nós já estamos plantando” alegra-se Cíntia.
Sua comunidade faz farinha, paçoca e doces do cumbaru. Da mangava é
produzido o licor e da orvalheira, também conhecida como cagaita, a
comunidade produz sucos e geléias.
De acordo com Maurício Ferreira Mendes, biólogo e coordenador do
projeto, o objetivo central é associar os produtos do cerrado com a
produção agrícola convencional já realizado nas comunidades. Os
pequenos produtores plantam o arroz, o feijão, a mandioca, criam seu
gado, mas preservam espécies nativas devido ao seu uso para alimentação
ou medicinal. “Foi realizado um diagnóstico para identificar as
principais potencialidades do cerrado na região de Cáceres para o
uso alimentar, medicinal e econômico”, explica.
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De
posse destes dados, a FASE fez um processo de sensibilização
dos moradores sobre a utilização das espécies nativas. O
jatobá, de acordo com o coordenador, é rico em cálcio, o
cumbaru, em vitaminas e o pequi tem betacaroteno, que se
transforma em vitamina A no organismo além de ser
anti-oxidante. |
“Além
do valor alimentar e medicinal, também estamos olhando o econômico.
A idéia é consumir em casa os produtos e o excedente ser
comercializado. As comunidades estão expondo em feiras e a meta é
levar os produtos nos mercados”.
Por
enquanto, os produtos são comercializados pelos grupos em feiras e
eventos além de serem consumidos na própria comunidade que estão
valorizando cada vez mais o que o cerrado dá. Está em curso também
uma proposta de uma parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab) em fornecer os produtos para merenda escolar dos municípios
das comunidades.
Outras experiências
A experiência do agroextrativismo na região de Cáceres também é
vivida em oturas regiões de Mato Grosso. Em Vila Bela da Santíssima
Trindade, a 520 km de Cuiabá, agricultores familiares como Manoel
Prado, que atualmente é secretário municipal de Agricultura do município,
implantou o agroextrativismo em seu lote. Desde que começou a
implantar o sistema agroflorestal no quintal de sua casa, além de
perceber que a temperatura em volta ficou mais amena, vem descobrindo
novos usos para as espécies que cultiva. “Temos três freezers
sempre cheio de polpa de frutas como o araçá-boi, cupuaçu, pitanga,
tamarindo, jamelão e outros” comenta. “Eu e outros produtores
estamos entregando polpa de frutas para a merenda escolar”. Manoel
Prado, que participou do seminário da FASE, acredita que adquiriu
novos conhecimentos para sensibilizar mais agricultores em seu município.
Acesse
essa matéria em: http://www.formad.org.br/index.php/noticias
Esse
espaço é reservado para a divulgação de experiências em Segurança
Alimentar e Nutricional desenvolvido por organizações, movimentos,
redes e fóruns da Sociedade Civil. Envie sua experiência para que
divulguemos em nosso Boletim!
MOVIMENTO
DE MULHERES CAMPONESAS (MMC) REALIZA CAMPANHA EM DEFESA DA PRODUÇÃO
DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS
Está em curso desde o dia 8 de março (Dia
Internacional da Mulher) a Campanha do Movimento de Mulheres
Camponesas “Produzir Alimentos Saudáveis, cuidar da
vida e da natureza”.
A
Campanha pela Produção de Alimentos Saudáveis quer reunir as
mulheres do campo e da cidade, a fim, de afirmar a soberania alimentar
dos povos e fortalecer a luta em defesa da vida.
As
ações da Campanha acontecem em 5 dimensões:
Política:
construção de pautas com proposições nas várias áreas das políticas
públicas, no sentido dos governos investirem recursos a partir das
metas da campanha;
Ambiental:
construção
do debate sobre crise de civilização que a humanidade está
atravessando e a necessidade de cuidar da vida.
Ética,
cultural e feminista:
construção de valores e princípios de vida, de solidariedade, na
construção de novas relações humanas e com a natureza, superando
todas as formas autoritárias, patriarcais e discriminatórias de
poder.
Mudanças
cotidianas:
construção de praticas no cotidiano das mulheres e famílias
camponesas de fortalecimento do Projeto Popular de Agricultura
Camponesa, valorizando quem trabalha, a natureza e produzindo para o
bem da humanidade;
Econômica
e Social:
construção de mecanismos, instrumentos de viabilização e
potencialização da agricultura camponesa; fortalecimento de redes
solidárias de trabalho e consumo; valorização do trabalho feminino;
ações de combate à fome e à miséria no campo e na cidade, avançando
na luta pela soberania alimentar, autonomia dos povos, especialmente
das mulheres.
Com esta Campanha queremos avançar
na luta pela soberania alimentar, contribuindo no combate à fome e à
miséria, tornando visível o grande potencial de produção de
alimentos que a agricultura camponesa possui, evidenciando o papel das
mulheres neste processo, bem como, sensibilizar a sociedade para a
situação de degradação da natureza e a necessidade de retomar o
cuidado com a vida.
ACONTECEU
I
ENCONTRO DE AGROEXTRATIVISTAS DO PANTANAL
Nos
dias 16 a 18 de maio de 2007 foi realizado em Cáceres-MT o I
Encontro de Agroextrativistas do Pantanal. Os debates e proposições
deste encontro foram inserido na Carta Política que
apresentamos abaixo. Na Carta os grupos agroextrativistas do
Pantanal “reivindicam a abertura de um canal de diálogo
franco e permanente para a construção de políticas públicas
de reconhecimento e fortalecimento do agroextrativismo, como
componente forte, constitutivo do modelo de desenvolvimento
sustentável da região, do estado e do país e não como mera
política compensatória”.
CARTA
POLÍTICA DO I ENCONTRO DE AGROEXTRATIVISMO DO PANTANAL
A
realização do I Encontro do Agroextrativismo do Pantanal é um
esforço conjunto dos vários grupos de produção
agroextrativista da região do Pantanal e acontece após um ano
e meio de realização de várias atividades importantes para a
consolidação de um modelo sustentável de uso dos recursos
naturais do cerrado pantaneiro, preservando as espécies,
diversificando a alimentação e criando alternativas econômicas
para as comunidades.
No contexto de crise das
formas de produção da agricultura convencional, que leva à
degradação do meio ambiente, pelo elevado índice de uso de
insumos químicos artificiais como agrotóxicos, adubos sintéticos
e demais tecnologias poluidoras do meio ambiente e causadora de
mudanças climáticas, o agroextrativismo se apresenta
como importante mecanismo de desenvolvimento sustentável das
comunidades e assentamentos rurais familiares.
Muitos desafios existem no
caminho da consolidação deste modo de produção, que junta
formas de produção agrícola com a coleta racional e sustentável
de frutos do cerrado pantaneiro. As comunidades necessitam
ampliar seus conhecimentos e é fundamental o investimento de
recursos públicos para dar proteção, suporte a este modelo.
Desta forma, o encontro
apresenta uma série de questões importantes para serem
apresentadas no caminho da elaboração de políticas públicas.
Na esfera municipal é preciso criar políticas de valorização
da agricultura familiar e também programas municipais de
fomento ao agroextrativismo, com recursos para manutenção de
estradas, apoio para transporte de produtos agroextrativistas até
o mercado consumidor, efetivação de um espaço de venda dos
produtos agroextrativistas na cidade, entreposto de venda,
feiras, facilitação da entrada destes produtos na merenda
escolar das escolas municipais e disponibilização de um corpo
técnico capaz de acompanhar as principais demandas de produção
dos grupos agroextrativistas.
Aliado às ações municipais
é preciso que o governo estadual garanta investimentos efetivos
na agricultura familiar, garantindo ao setor familiar e
tradicional a destinação de recursos para manutenção das
estradas estaduais, para a criação de programas e ações de
assistência técnica e extensão rural agroecológicas e de
fomento ao agroextrativismo. É necessária a criação de um
espaço estadual de comercialização dos produtos do
agroextrativismo, a destinação de recursos para pesquisa do
potencial produtivo e nutricional dos frutos do cerrado e criação
de um fundo de fomento do agroextrativismo e de apoio ao
fortalecimento organizacional dos grupos. No campo político-ambiental
necessitamos da elaboração de leis restritivas ao uso de
tecnologias degradantes dos recursos naturais no cerrado, bem
como nas áreas das nascentes dos rios da bacia do Alto Paraguai
e pela não diminuição da área do Pantanal para somente a área
alagada.
No âmbito federal, é necessário
continuar com Programa de Aquisição de Alimentos - PAA gestado
pela CONAB, garantindo a inclusão dos produtos
agroextrativistas na pauta das compras. Reivindicamos a ampliação
das políticas para o fortalecimento do agroextrativismo que
contemplem assistência técnica agroecológica para as famílias,
fomento à criação de agroindústrias familiares de produtos
artesanais agroextrativistas e de gêneros alimentícios.
Necessitamos de recursos para
projetos de apoio institucional para estruturação de grupos
coletivos agroextrativistas, para o fortalecimento
organizacional das comunidades. Também é necessário à
implementação da política nacional de ATER e a dotação orçamentária
para a política nacional das comunidades tradicionais, efetivação
no próximo PPA do Programa Nacional de Agrobiodiversidade e de
demais políticas de apoio e de fortalecimento dos atores
sociais que manejam os recursos naturais de forma agroecológica
e sustentável.
Os grupos agroextrativistas
da região e organizações de apoio, que abaixam assinam,
reunidos entre os dias 16 e 18 de maio de 2007, no I Encontro do
Agroextrativismo do Pantanal, reivindicam a abertura de um canal
de diálogo franco e permanente para a construção de políticas
públicas de reconhecimento e fortalecimento do
agroextrativismo, como componente forte, constitutivo do modelo
de desenvolvimento sustentável da região, do estado e do país
e não como mera política compensatória.
Grupo
Amigas da Fronteira – Assentamento Corixinha, Cáceres-MT;
Grupo
São José – Assentamento Bom Jardim - Facão, Cáceres-MT;
Grupo
Natureza Viva – Assentamento Bom Jardim - Facão, Cáceres-MT;
Grupo
das Margaridas – Assentamento Margarida Alves, Mirassol
D’Oeste-MT;
Grupo
Frutos da Terra – Comunidade Nossa Senhora da Guia,
Morraria, Cáceres MT;
Grupo
Frutos do Cerrado do Guanandi – Comunidade Guanandi,
Morraria, Cáceres MT;
Grupo
de Mulheres Araras do Pantanal – Assentamento Sadia Vale
Verde, Distrito
Nova
Cáceres – Cáceres-MT;
Grupo
Dandara –Assentamento Roseli Nunes, Mirassol D’Oeste-MT;
Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Cáceres – STR Cáceres-MT;
FASE
- Federação de Órgãos para Assistência Social e
Educacional;
ISPN
– Instituto Sociedade, População e Natureza;
CTA
- Centro de Tecnologia Aternativa Vale do Guaporé, Pontes e
Lacerda-MT;
ARPA
– Associação Regional de Produtores Agroecológicos ,
Mirassol D’oeste-MT;
Grupo
Bonecas do Pantanal – Bairro Vitória Régia, Cáceres-MT;
Associação
Indígena Halitinã – Povo Pareci, Tangará da Serra-MT;
FEAB
– Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil –
Regional-MT;
Centro
Acadêmico dos Estudantes de Agronomia - UNEMAT Cáceres;
PROCEDE
– Cooperativa de profissionais, assessoria técnica,
ambiental e social, Poconé-MT;
CAA
– Centro de Agricultura Alternativa, Montes Claros-MG;
CEPPEC
– Centro de Produção e Pesquisa do Cerrado, Niuaque-MS;
Acampamento
São Camilo – Morraria, Cáceres – MT;
Acampamento
Terra Prometida – Cáceres-MT;
Povo
Bacairi – Tangará da Serra-MT;
COOPESCART’S
– Cooperativa de Aqüicultura e Indústria de Pescados de
Cáceres MT;
GTA
– Grupo de Trabalho da Amazônia – Cuiabá-MT;
MST
– Movimento dos Trabalhadores Sem Terra;
CAMOSC
– Curso de Agronomia para os Movimentos Sociais e do
Campo, Cáceres MT;
FORMAD
– Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e
Desenvolvimento;
APAC
– Associação Pantaneira de Artesões de Cáceres;
PPM
– Pão Para Mundo;
GAIA
– Instituto de Pesquisa e Educação Ambiental, Cáceres-MT;
CDH
– Centro de Direitos Humanos Dom Maximo Bienés, Cáceres-MT;
APCUCA
– Associação Popular de Cultura Cacerense.
Órgãos
públicos presentes no I Encontro de Agroextrativismo do
Pantanal:
CEX/MMA
– Coordenadoria de Agroextrativismo – Ministério do
Meio Ambiente;
GECA/UFMT
- Grupo de Pesquisas em Geografia Agrária, Conservação da
Biodiversidade e Pantanal da Universidade Federal de Mato
Grosso;
PRPPG/UNEMAT
– Pro-reitoria de Pesquisa e Pós Graduação da
Universidade do
Estado
de Mato Grosso;
CEFET
– Centro Federal de Ensino Tecnológico, Cuiabá – MT;
Secretaria
de Agricultura de Vila Bela – Vila Bela da Santíssima
Trindade-MT;
SEMA
– Secretaria de Estado do Meio Ambiente - Gerência de Políticas
para o Pantanal;
CONAB
– Companhia Nacional de Abastecimento - Superintendência
de Mato Grosso;
IBAMA
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis
-
Superintendência Regional do MT e Comissão Nacional de
Comunidade Tradicionais;
INCRA
– Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária –
Unidade Avançada de Cáceres;
EAFC
– Escola Agrotécnica Federal de Cáceres.
Fóruns e Conseas Estaduais
I
Fórum Regional Amazônico de Segurança Alimentar e
Nutricional Sustentável será realizado no Pará
Nos
dias 25, 26 e 27 de junho do corrente,será realizado no
Auditório da Escola Estadual E.M.SOUZA FRANCO, o 1º. Fórum
Regional Amazônico de Segurança Alimentar e Nutricional
Sustentável, a ocasião, terá como finalidade estratégica
de articular os vários atores regionais que discutem a política
de Segurança Alimentar na Região Amazônica, na
perspectiva de mobilizar a sociedade civil organizada em
torno do tema, resguardando as características regionais.
O
1º. Fórum Regional Amazônico de Segurança Alimentar e
Nutricional Sustentável, trata-se de iniciativa do FPSANS
– Fórum Paraense de Segurança Alimentar e Nutricional
Sustentável, juntamente com o CECAN/UFPA – Centro
Colaborador de Alimentação e Nutrição da Região Norte
que, visa contribuir para que se desenvolva uma política
com as características específicas da Amazônia, como também,
fomentar o processo de articulação regional.
Mais
informações:
Dias:
25, 26 e 27 de junho de 2007
Local
do evento: Auditório E.E.E.M SOUZA FRANCO
Av.
Almirante Barroso
INSCRIÇÕES
ANTECIPADAS
CECAN/UFPA
Rua
Generalíssimo Deodoro, nº01 – Umarizal
Tel.
(91)32016852 – Tel./Fax (91)32414292
Paraná
realiza Seminário Preparatório com os delegados e delegadas
eleitos (as) para a Conferência
O
Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná–
CONSEA-PR com o apoio do Fórum Estadual de SAN irá promover no
dia 13 de junho em Curitiba um Seminário preparatório para a
III Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional. Veja
abaixo a programação:
DATA: 13 de junho de 2007
Período
da Manhã –
Encontro para a Mobilização pela Segurança Alimentar e
Nutricional no Paraná: Rumo à III Conferência Nacional de
Segurança Alimentar - CNSAN.
LOCAL:
Plenarinho da Assembléia Legislativa – pela manhã
HORÁRIO:
9:00h. às 12:30h
Pauta:
09:00
h – Abertura – Recepção dos delegados;
09:05
h – Orientações preliminares – abordagens gerais – Video
10:00
h - Composição da mesa com autoridades;
10:10
h – Pronunciamentos dos deputados da Frende Parlamentar do
SAN;
10:50
h – Exposição do Presidente do CONSEA Nacional Sr. Francisco
Menezes, sobre Política Nacional, Sistema Nacional de Segurança
Alimentar e o objetivos e importância da III Conferência no
processo;
11:50
h – Debate;
12:30
h – Almoço – Hotel San Martin
Período
da Tarde –
Oficina de Preparação dos Delegados do Paraná para a III
CNSAN.
LOCAL:
Sede do CONSEA – Rua Pedro Ivo, 750 – 5º andar
Pauta:
HORÁRIO:
14:00 h às 18:00 h
14:00
h – Pronunciamento presidente do CONSEA-PR;
14:10
h – Exposição da dinâmica para o evento e exposição de
temas de trabalho;
14:30
h – Determinação e trabalho dos grupos;
16:30
h – Apresentação de relatórios dos grupos e fechamento de
instrução;
18:00
h – Encerramento
Paraná
prepara lei estadual de segurança alimentar
Povos
indígenas, quilombolas e merenda escolar da agricultura
familiar ainda são desafios à garantia do direito humano
à alimentação digna. A palavra de ordem é: avançar!
Curitiba,
PR (13/06/2007)
– O seminário realizado pelo Consea, pela Frente
Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional e pela
Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social (SETP), esta manhã na Assembléia Legislativa,
consagra ao Paraná um lugar de destaque na construção de
uma lei estadual de segurança alimentar. Também na discussão
do sistema único nessa área e no centro do debate nacional
em torno de políticas públicas que garantam o direito
humano à alimentação digna. Além da Frente Parlamentar
do Congresso Nacional, em Brasília, somente três estados,
até o momento, contam com o envolvimento do Poder
Legislativo nessa campanha em favor do combate à fome, à
miséria e às manifestações de insegurança alimentar em
nossa gente: como a falta de terra, de trabalho ou de renda.
Esse conceito amplo de “segurança alimentar”, começa
por desenvolver ações que garantam condições adequadas
para a produção de alimentos saudáveis nas lavouras,
passa pela comercialização a preço justo e à geração
de renda na agricultura familiar, mas, ainda, pelo acesso da
população ao prato de comida. E vai além, ou seja,
questiona a qualidade e as condições nutricionais desses
alimentos que chegam à mesa do consumidor brasileiro e a própria
cultura alimentar do nosso povo.
A
Presidente da Frente Parlamentar do Paraná, deputada
estadual Luciana Rafagnin (PT), ressaltou a importância da
criação de uma lei paranaense para transformar e aprimorar
ações de governo que vêm dando resultados positivos nessa
área, como o Bolsa Família, o Fome Zero e, dentro deste, o
Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar
(PAA) pela Conab, além do Leite das Crianças. “Queremos
avançar nesses programas, mas, com a força da lei,
conferir-lhes o caráter de uma política pública
permanente, que não tenha apenas a duração de um mandato
ou deste e daquele governo”, diz Luciana. O
vice-presidente da Frente Parlamentar, deputado estadual
Pastor Edson Praczyk (PRB), também falou da importância de
trazer o debate para dentro da Casa de Leis do Estado: “Além
de multiplicar as cabeças pensantes na formulação de idéias,
o compromisso assumido pelo Legislativo atrai a atenção
para o assunto e ajuda a envolver mais a comunidade em torno
dessa discussão, até para que todos possam ver de que
forma cada um assume sua parcela de responsabilidade nessa
campanha”, afirma.
Desafios - O seminário na Assembléia Legislativa trouxe ao
Paraná o Presidente do Consea-Nacional, o carioca Francisco
Menezes. Ele veio à Curitiba auxiliar na preparação dos
52 delegados paranaenses que participarão da III Conferência
Nacional sobre Segurança Alimentar, de 3 a 6 de julho em
Fortaleza-CE. Chico Menezes apresentou no seminário uma análise
da conjuntura nacional e das expectativas com relação à
regulamentação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar
pelo Congresso Nacional. Essa lei é de setembro do ano
passado. O Presidente do Consea Nacional lembrou da importância
das ações de governo que existem, dos avanços nessa área,
mas não perde de vista os desafios que ainda se tem pela
frente, como a garantia de acesso à alimentação digna
pelos povos indígenas e quilombolas. “Grupos mais pobres
da população são também os mais vulneráveis e não
podemos admitir, nos dias de hoje, por exemplo, que crianças
indígenas entrem para as estatísticas da mortalidade
infantil por inanição”, diz ele. Chico Menezes anunciou
que a Frente Nacional de Segurança Alimentar já discute um
projeto de lei voltado para a alimentação escolar, no
sentido de incentivar a compra pelas escolas dos produtos da
agricultura familiar local. “Sei que vamos enfrentar
resistências e mexer com interesses diversos, mas esta missão
que assumimos exige uma grande capacidade de
enfrentamento”, alerta. Ele conclui dizendo que estão
sendo estudadas possibilidades de responsabilizar
criminalmente prefeitos e gestores públicos que fazem mau
uso do recurso da merenda escolar e que o Programa de Aquisição
de Alimentos (PAA) do governo federal também precisa ganhar
força de lei, para ampliar e melhorar seus resultados.
O
Secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini,
prestigiou o seminário na Assembléia Legislativa e disse
que tanto a atuação da Frente Parlamentar quanto do
Conselho Estadual só ajudam a qualificar as políticas do
Executivo. Além dele, também participaram dos trabalhos o
delegado federal do Desenvolvimento Agrário no Paraná,
Reni Denardi, o superintendente nacional de Suporte à
Agricultura Familiar da Conab, Marco Antônio Pinto, a
Coordenadora do Fome Zero no Paraná, Zélia Passos, o
representante dos três estados do Sul no Consea Nacional,
Pastor Werner Fuchs, conselheiros paranaenses e os delegados
do estado que participarão da III Conferência Nacional. Os
demais membros da Frente, deputados Rosane Ferreira (PV),
Luiz Eduardo Cheida (PMDB), Péricles de Mello (PT), além
dos parlamentares Elton Welter (PT) e Caíto Quintana (PMDB)
também prestigiaram a atividade.
Jornalista:
Thea Tavares (MTb 3207-PR) – (41) 9658-7588
Contatos:
- Sílvia Rigon – Consea/PR – (41) 3883-2615 /
9174-9853;
- Zélia Passos – Fome Zero/SETP – (41) 3883-2546
(Assessoria de Imprensa);
- Deputada Luciana Rafagnin – (41) 3350-4380 / 3350-4383 /
3350-4087 / 3350-4249 – Em Francisco Beltrão: (46)
3524-0939
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