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CARTA
DE PRINCÍPIOS DO FÓRUM BRASILEIRO
DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
O
Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional (FBSAN),
criado em 1998 como herdeiro de uma história de mobilização
social no campo da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)
no Brasil, propicia um espaço político e técnico permanente
de diálogo, articulação e intervenção de um conjunto de
organizações, movimentos e indivíduos nos processos de formulação
e tomada de decisão sobre políticas públicas (ações de
governos e sociedade que tenham caráter público) em SAN.
Por
Segurança Alimentar e Nutricional entende-se a realização
do direito de todos à
uma alimentação saudável, acessível, de qualidade,
em quantidade suficiente e de modo permanente, com base em práticas
alimentares promotoras de saúde, sem comprometer o acesso
à outras necessidades essenciais e nem o sistema alimentar
futuro, devendo realizar-se em bases sustentáveis.
O
Brasil, como todo país, deve ser soberano para garantir a segurança
alimentar de seu povo (soberania alimentar), respeitando suas
múltiplas características culturais, manifestadas no ato de
se alimentar. É obrigação do Estado brasileiro, no contexto
das relações nacionais e internacionais, assegurar este direito
e efetivá-lo em obrigatória articulação com a sociedade
civil, cada parte cumprindo suas atribuições específicas.
A SAN é necessária para constituição da própria condição
humana em sua relação com o ambiente e deve ser contextualizada
politicamente nos compromissos firmados sobre os amplos direitos
da pessoa humana.
O
alcance da condição de SAN implica tanto a adoção de medidas
emergenciais com caráter complementar, voltadas para o atendimento
de grupos em situação de vulnerabilidade (do ponto de vista
social e biológico), quanto à implementação de ações estruturais
que revertam os fatores políticos, econômicos, sociais e culturais
que geram as situações de vulnerabilidade e insegurança alimentar
de indivíduos, grupos sociais e do próprio país.
Uma
política de Segurança Alimentar e Nutricional deve garantir
o acesso e disponibilidade de alimentos e assegurar saúde,
alimentação e nutrição, numa perspectiva de sustentabilidade.
Tal condição só poderá ser assegurada através de: preços
justos (que não onerem o consumidor e nem prejudiquem o
produtor), superando a lógica do lucro abusivo e articulando
o acesso com ações de geração de renda; quantidade e
variedade que atendam necessidades nutricionais e de saúde,
trabalhadas inclusive em Programas de Educação Alimentar e
Nutricional; aceitação cultural; segurança (não
contaminação biológica, química, inclusive livre de transgênicos);
qualidade (nutricional, química, sanitária, biológica
e tecnológica); processo produtivo baseado nos princípios
da agroecologia. Todas estas condições devem ser consideradas
tanto por quem oferece os incentivos, quanto por quem executa
os programas.
Em
síntese, são dois os princípios que regem nossa atuação.
O primeiro deles é de que o direito a se alimentar é um direito
humano primordial, condição indispensável para a vida e,
em conseqüência, para o próprio direito à cidadania. Não
pode haver lógica econômica ou conjuntura política que justifique
a postergação da garantia deste direito a cada indivíduo.
O
segundo princípio sustenta que a segurança alimentar e nutricional
somente se efetivará através da democratização da esfera
pública e da implementação de políticas e ações de caráter
público, tanto no plano governamental quanto societário, cabendo
também a sociedade civil a proposição e o controle social
sobre as políticas públicas. Somente haverá Segurança Alimentar
e Nutricional pelo esforço conjunto do governo e sociedade
civil com a combinação de funções dos diferentes atores
sociais, exercidas de forma democrática e popular, visando
à equidade econômica, social, de gênero, étnica e racial.
No
contexto das estratégias de Segurança Alimentar e Nutricional,
ressaltamos que a erradicação da fome constitui tarefa urgente
a ser executada através da combinação de um conjunto de ações
e de instrumentos voltados para assegurar o direito humano
à alimentação. Porém, só adquire sentido pleno se estas
ações e instrumentos refletirem os princípios antes enunciados
e estiverem integrados numa política que contemple o objetivo
maior da promoção da Segurança Alimentar e Nutricional do
conjunto da população do Brasil.
Diante
destes desafios reafirmamos nosso compromisso de mobilizar os
diferentes atores sociais em torno da plena implementação
de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional para
o Brasil e da garantia do Direito Humano à Alimentação.
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