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O Programa Fome Zero

Integração das políticas de combate à fome

O Programa Fome Zero partiu do diagnóstico de que não existe uma política integrada de combate à fome no Brasil. Nos últimos anos, os três níveis de governo e a sociedade colocaram em marcha iniciativas isoladas, com um nível de organicidade muito reduzido. As políticas públicas se pautaram por uma alta dispersão de esforços e de recursos. Em determinados casos, havia duplicação de benefícios e, em outros, total ausência de apoio às famílias em situação de risco.

Do lado da sociedade civil, não tem sido muito diferente: a população brasileira se mobiliza em determinados momentos, como nas épocas de seca no Nordeste, mas não há ações institucionalizadas ocorrendo de forma constante.

Levando-se em conta o fato de que existem realidades distintas nas áreas rurais, nas áreas metropolitanas e nas pequenas e médias cidades, o Fome Zero propõe uma integração das políticas de melhoria de renda e de combate à fome. Evidentemente, essas ações devem vir acompanhadas por mudanças mais gerais na política econômica que visem o crescimento, a geração de empregos e a distribuição de renda.

Crescimento econômico e redução da pobreza

 

No início dos anos 90, a sociedade brasileira, cansada da inflação, viu-se compelida a acreditar que, se houvesse estabilização de preços e crescimento da economia, haveria uma grande chance de redução nos níveis de pobreza.

Estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstram que a redução dos níveis de inflação e o crescimento da economia nos primeiros anos do Plano Real deram uma trégua ao ritmo do aumento do número de pobres e indigentes no Brasil. Entre 1994 e 1996, o número absoluto de pobres e indigentes foi reduzido. A partir de 1997, porém, esse índice voltou a se estabilizar. As razões dessa piora nas condições de vida podem ser atribuídas ao aumento do desemprego e à desaceleração do crescimento econômico.

As lições dos anos 90 mostraram que as políticas de redução da pobreza e de combate à fome devem vir acompanhadas de movimentos que mantenham o crescimento e a distribuição de renda no médio e longo prazos.

Por esses motivos, o Programa Fome Zero parte de propostas mais gerais, estruturantes, para reduzir o foco até as ações de caráter local, passando pelas políticas específicas que agem sobre a quantidade e a forma de consumo de alimentos. Em todos esses níveis, há a possibilidade de atuação das empresas e de organizações privadas em geral.

 

 

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