No início dos anos 90,
a sociedade brasileira, cansada da inflação, viu-se
compelida a acreditar que, se houvesse estabilização
de preços e crescimento da economia, haveria uma grande
chance de redução nos níveis de pobreza.
Estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) demonstram que a redução dos níveis
de inflação e o crescimento da economia nos primeiros
anos do Plano Real deram uma trégua ao ritmo do aumento
do número de pobres e indigentes no Brasil. Entre 1994
e 1996, o número absoluto de pobres e indigentes foi
reduzido. A partir de 1997, porém, esse índice voltou
a se estabilizar. As razões dessa piora nas condições
de vida podem ser atribuídas ao aumento do desemprego e
à desaceleração do crescimento econômico.
As lições dos anos 90 mostraram que as políticas de
redução da pobreza e de combate à fome devem vir
acompanhadas de movimentos que mantenham o crescimento e
a distribuição de renda no médio e longo prazos.
Por esses motivos, o Programa Fome Zero parte de
propostas mais gerais, estruturantes, para reduzir o
foco até as ações de caráter local, passando pelas
políticas específicas que agem sobre a quantidade e a
forma de consumo de alimentos. Em todos esses níveis, há
a possibilidade de atuação das empresas e de organizações
privadas em geral.