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O Programa Fome Zero - Como Apoiar

 
Políticas Estruturais

 

Geração de emprego e renda

No Programa Fome Zero, políticas estruturais são ações que visam permitir aumento da renda e diminuição das desigualdades sociais. Essas políticas que incluem, por exemplo, os programas de geração de emprego e renda, constituem uma prioridade do governo. Entretanto, as empresas também podem promover a inclusão social.

A distribuição de renda por si só não garante o bem-estar da população pobre, se não houver alguma forma de sustentação a longo prazo. Para garantir a inclusão é necessário que as pessoas pobres passem a contar com uma base sobre a qual possam se sustentar. Essa base pode ser o controle de algum "ativo" que alavanque futuras rendas ou, ao menos, a posse de bens que reduzam o grau de comprometimento de sua renda com aluguel, prestações ou juros pagos a agiotas.

A ação do Estado na sustentação de renda é fundamental, promovendo programas de renda mínima, o seguro-desemprego e a ampliação do sistema de previdência e aposentadorias, entre outras medidas.

Previdência Social Universal

No Programa Fome Zero, políticas estruturais são ações que visam permitir aumento da renda e diminuição das desigualdades sociais. Essas políticas, que incluem, por exemplo, os programas de geração de emprego e renda, constituem uma faixa de intervenção prioritária do governo. Entretanto, as empresas também podem atuar nesse âmbito, promovendo a inclusão social.

A distribuição de renda por si só não garante o bem-estar da população pobre, se não houver alguma forma de sustentação a longo prazo. Para garantir a inclusão é necessário que as pessoas pobres passem a contar com uma base sobre a qual possam se sustentar. Tal base pode ser o controle de algum "ativo" que alavanque futuras rendas ou, ao menos, a posse de bens que reduzam o grau de comprometimento de sua renda com aluguel, prestações ou juros pagos a agiotas.

A ação do Estado na sustentação de renda é fundamental, promovendo programas de renda mínima, o seguro-desemprego e a ampliação do sistema de previdência e aposentadorias, entre outras medidas.

No caso das políticas públicas de sustentação da melhoria de renda, podemos destacar a reforma agrária e os financiamentos de ativos a juros reduzidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela rede de bancos oficiais.

Por outro lado, embora a responsabilidade sobre essas políticas estruturais recaia principalmente sobre o Estado, a iniciativa privada pode contribuir muito. Exemplo claro desse tipo de contribuição é o investimento na formação e incorporação ao mercado de trabalho de jovens que hoje estão excluídos socialmente e sem acesso a esses direitos.

Incentivo à agricultura familiar

A principal ação que pode ser desencadeada pelas empresas diz respeito à criação e participação em agências de microcrédito solidário. É uma alternativa também para as muitas empresas que não têm como finalidade emprestar dinheiro e nem têm vocação para isso.

As agências de microcrédito são entidades autônomas, formadas por membros da comunidade local - funcionários da empresa ou não - que emprestam quantidades mínimas de recursos para que pessoas pobres possam iniciar ou ampliar um negócio, reformar sua casa, comprar uma bicicleta ou outro bem. As experiências de microcrédito já foram suficientemente documentadas e os bancos oficiais que atualmente operam nessa linha comprovam que seus resultados são muito satisfatórios.

Os dados mostram que a taxa de inadimplência para esse tipo de operação é muito baixa, e que o retorno social desse gênero de investimento é compensador. Os empréstimos pelo sistema de microcrédito giram em torno de R$1.000 e são concedidos preferencialmente às mulheres. O próprio BNDES está autorizado a conceder essa modalidade de empréstimo para atividades informais, que representam 77% dos microempreendedores da carteira do banco.

As experiências com o crédito solidário são particularmente importantes e bem-sucedidas quando se trata de agricultura familiar. No Sul já existe uma rede de agências de microcrédito que financia a produção e comercialização de produtores familiares. Esse crédito está atualmente "fazendo a diferença" em regiões onde o crédito oficial não chega em montante adequado e nas quais os agricultores têm poucas alternativas de produção e comercialização

Intensificação da reforma agrária

No caso das políticas públicas de sustentação da melhoria de renda, podemos destacar a reforma agrária e os financiamentos de ativos a juros reduzidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela rede de bancos oficiais.

Por outro lado, embora a responsabilidade sobre essas políticas estruturais recaia principalmente sobre o Estado, a iniciativa privada pode contribuir muito.

Exemplo claro desse tipo de contribuição é o investimento na formação e incorporação ao mercado de trabalho de jovens que hoje estão excluídos socialmente e sem acesso a esses direitos.

Suplementação de renda e apoio financeiro

Outra forma de atuação empresarial no campo estrutural abrange programas de suplementação de renda para famílias pobres na forma de auxílios diretos às crianças ou jovens em idade escolar. Existem diversos programas apoiados pela legislação fiscal que são voltados para a criança e o adolescente. Nesses casos, a empresa faz as contribuições diretamente aos fundos geridos pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Essas ações liberam uma parte da renda das pessoas em situação de risco, permitindo que suas famílias tenham maior acesso a alimentos.

Outras ações no campo estrutural que possam garantir maior folga na renda das famílias em situação de risco podem ser bastante positivas, mesmo não sendo um investimento direto no campo alimentar. As empresas podem promover diversas ações de melhoria de renda entre seus funcionários ou nas comunidades em que estão presentes, como, por exemplo, dar apoio financeiro à autoconstrução, conceder bolsas de estudo para jovens filhos de funcionários ou membros da comunidade e patrocinar ou constituir cooperativas de consumo de alimentos ou de material de construção.

Projeto Investir na Juventude

O censo de 2000 mostra que quase 35 milhões de brasileiros têm entre 12 e 24 anos. A falta de atividade produtiva tem atingido duramente toda a juventude e produz um forte impacto nas famílias, em especial nas de baixa renda. À medida que o jovem se aproxima da idade produtiva, tem tido frustrada sua expectativa de obter um emprego que possibilite seu sustento e seu crescimento profissional.

A opção por atividades esporádicas, informais ou com poucas perspectivas de crescimento profissional tem sido acompanhada pelo abandono dos estudos, que afeta negativamente sua empregabilidade. A cooptação da juventude pela criminalidade está associada à falta de alternativas que assegurem o consumo e à ausência de perspectivas de progresso pessoal. Entre maio de 2000 e maio de 2001, um adolescente por dia que acabara de sair da Febem virou presidiário no estado de São Paulo.

A entrada cada vez mais precoce dos jovens na criminalidade foi diagnosticada por uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Rio de Janeiro. O levantamento constatou que, no início da década de 90, os adolescentes entravam no mundo do crime com 15, 16 anos, e, em 2002, com 12, 13 anos. Em 2002, o IBGE e a prefeitura do Rio de Janeiro realizaram pesquisa com jovens de 15 a 24 anos em favelas cariocas e constataram que 24% deles eram "inativos": não trabalhavam nem estudavam.

Para interromper o círculo vicioso da atração dos jovens pela criminalidade, o projeto O Futuro do Brasil: Investir na Juventude propõe que as empresas ofereçam a jovens entre 16 e 21 anos contratos de estudo-profissionalização-trabalho-salário. Os jovens podem ser contratados para trabalhar nas próprias empresas investidoras ou em projetos sociais da comunidade, eventualmente vinculados ao Fome Zero.

De acordo com o projeto, tanto a empresa quanto o jovem contratado assinam um termo de compromisso. A empresa compromete-se a mantê-lo no emprego e a apoiar sua escolarização e formação profissional. O jovem compromete-se a freqüentar determinado curso até que sua formação universitária ou profissional esteja concluída.

Empresas de qualquer tamanho ou ramo de atividade podem participar do projeto. Não existe exigência quanto ao número de contratados, que pode variar de acordo com a capacidade do investidor. O programa visa atender às principais demandas da juventude: ter um primeiro emprego, aprimorar-se profissionalmente, garantir sua permanência e progressão escolar, contribuir direta ou indiretamente com o orçamento familiar e, principalmente, formar novos cidadãos com condições dignas de vida.

Quanto à duração do contrato, a finalidade de auxiliar na efetiva inclusão social dos adolescentes exige iniciativas de média ou longa duração. Ações de curta duração (menos de um ano) não costumam garantir inserção estável no mercado de trabalho. Portanto, o ingresso do jovem de até 21 anos na empresa poderá implicar sua permanência até os 24 anos.

Muitos jovens poderão apresentar dificuldades para sua contratação formal por falta de documentos e de recursos financeiros para obtê-los. Isso não deve ser um obstáculo para admiti-los, mas sim a oportunidade para começar a investir neles. Vale lembrar que a proposta de primeiro emprego também pode ser uma alternativa para jovens que vivem situações de risco pessoal ou social.

Investir no presente para construir o futuro exige acompanhamento do jovem ao longo do processo de investimento. O acompanhamento periódico permite realizar avaliações e a correção imediata de dificuldades na execução da proposta.

Segurança e qualidade dos alimentos

Embora o programa de combate à fome do governo Lula tenha o nome de Fome Zero, sua iniciativa veio acompanhada de um aposto: "uma proposta de segurança alimentar para o Brasil". Como se sabe, o conceito de fome se confunde com desnutrição e portanto, para evitar o mau uso das palavras, os técnicos adotaram a terminologia "segurança alimentar".

Essa precaução com a linguagem é importante. Lorde John Boyd Orr, Prêmio Nobel da Paz, no seu prefácio à edição inglesa de Geopolítica da Fome, de Josué de Castro, alerta: "No passado, empregava-se a palavra 'fome' para exprimir a falta de alimentos para a satisfação do apetite e o número de mortos pela fome restringia-se então aos indivíduos esquálidos que morriam por completa inanição. Josué de Castro, porém, usa essa palavra no seu sentido moderno, no sentido da falta de qualquer dos quarenta ou mais elementos nutritivos indispensáveis à manutenção da saúde. A falta de qualquer um deles ocasiona morte prematura, embora não acarrete, necessariamente, a inanição por falta absoluta de alimentos".

Assim, mesmo um indivíduo "gordinho" pode ter alguma carência nutricional. De modo geral, para cada indivíduo, segundo seu tipo físico, idade e sexo, há uma quantidade mínima diária de energia requerida que deve ser provida pela sua dieta. Esse número de calorias diárias deve ser também adaptado ao tipo de esforço físico despendido pelo indivíduo. O que denominamos "subnutrição" é o resultado da ingestão contínua de uma dieta insuficiente para fazer face ao gasto de energia de cada indivíduo. A subnutrição, ou desnutrição, decorre da manifestação de sinais clínicos que provêm da inadequação quantitativa (energia) ou qualitativa (nutrientes) da dieta, ou também de doenças que provocam o mau aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos.

A situação de subnutrição não permite o crescimento adequado da criança, o que resulta, na idade adulta, em baixa estatura ou peso abaixo do normal. É bom lembrar, também, que o que se considera normal varia segundo a sociedade e o grupo étnico. Isso quer dizer que é "normal" que uma certa quantidade de indivíduos tenha baixa estatura ou seja especialmente magro, sem que isso represente um estado de subnutrição.

Alimentação suficiente, segura e nutritiva

Ao problema da fome contrapõe-se o conceito de segurança alimentar. A definição clássica estabelecida pela FAO determina que haja "uma situação na qual todas as pessoas, durante todo o tempo, tenham acesso físico, social e econômico a uma alimentação suficiente, segura e nutritiva que atenda a suas necessidades dietárias e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável".

O acesso aos alimentos está na base dessa definição. Não adianta haver superávit na disponibilidade de alimentos em determinado país se uma parte da população não tem renda para consumi-los, ou se esses alimentos culturalmente não fazem parte da sua dieta.

A utilização do conceito de segurança alimentar remete para a discussão sobre como desencadear as políticas de combate à fome. Não se trata apenas de produzir o alimento ou de resolver os problemas ligados ao abastecimento e à comercialização de bens. Trata-se de uma discussão mais ampla, que envolve aspectos econômicos, como a distribuição de renda, e culturais, como a educação alimentar das famílias.

O próprio conceito de segurança alimentar também está em discussão. A noção de soberania alimentar ganhou força no debate da fome a partir de 1996. Durante a Cúpula Mundial da Alimentação, no foro paralelo da sociedade civil, a reivindicação da soberania alimentar apareceu com grande destaque.

Esse conceito dá relevância à autonomia alimentar dos países e está associado à geração de emprego e à menor dependência das importações e das flutuações de preços do mercado internacional. A soberania alimentar atribui uma grande importância à preservação da cultura e aos hábitos alimentares de cada país.

Já a idéia de sustentabilidade alimentar incorpora conceitos ligados à preservação do meio ambiente e à não utilização de agrotóxicos e de produção extensiva em monoculturas.


 

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