Por que dizer não aos transgênicos na agricultura
Empresas multinacionais e
o governo brasileiro querem impor produtos de risco à
sociedade
Desde a decisão tomada pelo
governo do Rio Grande do Sul de proibir o plantio de cultivos
transgênicos no estado, os meios de comunicação estão
dando destaque às notícias sobre estes produtos. Uma decisão
judicial impede o governo federal de liberar o uso destes
cultivos, o que impede, pelo momento, que eles se generalizem.
Entretanto, o contrabando de sementes transgênicas da
Argentina já pode estar contaminando o meio ambiente no sul
do país enquanto a importação de produtos contendo transgênicos
já pode estar provocando impactos na saúde dos consumidores.
Sem discutir com a sociedade,
o governo brasileiro vem rápida e discretamente atendendo às
demandas das empresas multinacionais. Já foram autorizados
636 testes de campo para 176 variedades transgênicas de
arroz, milho, batata, soja, algodão, cana-de-açúcar, fumo e
eucalipto. Quase 90% destas variedades foram patenteadas por
seis empresas multinacionais. E cinco variedades transgênicas
da soja, chamadas Roundup Ready, obtiveram parecer técnico
favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
para o cultivo comercial – o que não significa autorização
final, pois ainda não foram concedidas autorizações dos
Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, além de estar
suspensa, por decisão judicial, sua eventual aprovação
final.
Na Europa os alimentos
produzidos a partir de plantas transgênicas foram apelidados
pelo público de Frankenfood, significando alimentos
Frankenstein. Isto diz bastante da percepção dos
consumidores sobre estas plantas. A pesquisa de opinião,
realizada em janeiro de 1997 pela empresa Mori (Market and
Opinion Research), mostrou que os transgênicos são
rejeitados por 78% dos franceses, 65% dos italianos e
holandeses, 63% dos dinamarqueses e 53% dos ingleses. Na
Alemanha, outra pesquisa aponta 78% de rejeição entre os
consumidores.
A reação dos meios científicos,
ambientalistas, médicos, agrônomos etc., tanto na Europa
quanto nos Estados Unidos e no Japão, também vai num
crescendo de preocupações na medida em que as primeiras
pesquisas independentes vão mostrando os riscos desta
tecnologia, bem como seus limites enquanto resultados
esperados. No Brasil, inclusive, os protestos se sucedem, por
meio de organizações de consumidores como o IDEC (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor), de ambientalistas como o
Greenpeace, de alguns cientistas da SBPC (Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência) e de muitos outros.
A novidade e a complexidade
do tema faz com que seja difícil ao cidadão comum perceber
os riscos dos transgênicos enquanto a propaganda das empresas
interessadas tenta fazer crer que estes produtos são
inofensivos e, mais ainda, que são a grande saída para a
agricultura, para o enfrentamento do problema da fome e para a
conservação do meio ambiente.
É preciso que a sociedade
tome consciência dos perigos que os transgênicos representam
e se manifeste contra sua liberação no Brasil.
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